Três grandes bancos centrais estão prestes a anunciar sua decisão de política monetária nesta semana. Ainda assim, é provável que o mercado se concentre no grande evento agendado para uma semana por enquanto – as eleições nos EUA.

A recessão provocada pela pandemia do coronavírus pegou as economias em um momento ruim. Por exemplo, uma das maneiras de um banco central reagir a uma desaceleração econômica é reduzindo a taxa de juros.

Ao fazê-lo, facilita as condições monetárias e estimula os bancos comerciais a aumentar os empréstimos às empresas e à população. A dinâmica do mercado é como um aumento na taxa de juros, provoca uma queda na inflação. E uma queda na taxa de juros gera inflação mais alta e crescimento econômico ainda maior.

Mas em algumas partes do mundo, a economia não se recuperou da Grande Crise Financeira de 2008-2009. Mais precisamente, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa da facilidade permanente de depósito para abaixo de zero por vários anos. Quando a pandemia do coronavírus atingiu, o banco central repentinamente enfrentou uma tarefa difícil. Por um lado, a taxa de juros já está abaixo de zero. Por outro lado, inflação e expectativas de inflação seguem caindo.

Isso é válido para todos os principais bancos centrais. Mesmo aqueles que não reduziram a taxa de juros abaixo de zero, eles alcançaram o limite inferior (ou seja, nível zero). O Banco do Canadá ou o Fed nos Estados Unidos são exemplos disso. Já para aqueles com taxa de juros já abaixo de zero, podemos citar aqui o BCE, o Swiss National Bank (SNB) ou o Banco do Japão (BOJ).

BCE em foco esta semana

O Banco do Canadá e o Banco do Japão estão anunciando as decisões sobre as taxas de juros esta semana. Com ambos os bancos com taxas já próximas do nível zero (um um pouco acima, outro um pouco abaixo), as chances são de que, ao avançar para a pandemia, eles as mantenham lá. Ou, eles os abaixarão mais.

O foco desta semana está no BCE. O banco central deve manter a política monetária inalterada na quinta-feira e agir apenas em dezembro. Um dos motivos é a incerteza que pode surgir com as eleições nos EUA e a decisão do Fed na próxima semana.

Mas o BCE pode ser forçado a agir mais cedo. As economias europeias são fortemente afetadas pela pandemia e muitas delas retomaram as restrições. Espanha, Itália e França impuseram toque de recolher. A taxa de infecção da Bélgica é a mais alta da zona do euro. E se o BCE não puder esperar?

Como já tem a taxa em -0,5%, o BCE pode, de fato, reduzir ainda mais a taxa em direção a -1%. Mas não pode ser muito mais baixo do que no futuro sem um sério dano à credibilidade. Portanto, a forma de agir permanece por meio de programas de compra de títulos.

Em suma, as taxas negativas devem permanecer baixas por mais tempo. Só depois que a inflação aumentar e o crescimento econômico também poderemos ver os bancos centrais pensando em apertar.

Até então, a política monetária fácil continua em todo o mundo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui